domingo, fevereiro 05, 2012

OPINIÃO: O discurso de Wellington Dias na defesa da esposa para a Prefeitura de Teresina


F.CARVALHO, do Acesse 24 Horas.
O senador Welligton Dias(PT) está aplicando uma retórica facilmente questionável no seu discurso sobre a possível candidatura da esposa dele, deputada Rejane Dias, à prefeitura de Teresina. Em entrevista ao jornalista Elivaldo Barbosa, da TV Cidade Verde, ele rebate a tese oligárquica abraçada, até mesmo, por vários de seus colegas petistas. Alegou que Rejane é filiada ao PT antes de contraírem matrimônio e afirma:  “Não se pode privar alguém de disputar algo só porque ela era minha namorada”. Ora, a legislação brasileira ainda não chegou à perfeição de vedar a eleição simultânea de clãs inteiros. Desta forma, o senador Wellington Dias esguia-se para passar com a mulher por uma lacuna jurídica. Faz questão de ignorar, ou ainda não foi alertado, que o senso de moralidade nascente na sociedade é que recrimina a ânsia de poder político familiar, além de não combinar com sua história política.
Como é sabido nos meios jurídicos, os costumes, os anseios do povo e o sentimento pró-justiça são consideradas fontes geradoras do Direito. Desta forma, mais cedo ou mais tarde surgirá alguma lei para reduzir a possibilidades de famílias isoladas transformarem instâncias públicas em nacos privilegiados de poder. Basta a farra de 2010, quando muitos foram os casos, no Piauí, de marido e mulher fazerem dobradinhas que reduziram uma maior representação da sociedade piauiense nos parlamentos estadual e federal.
Senador Wellington Dias e a deputada estadual Rejane Dias:
 Prefeitura de Teresina
Wellington Dias colocaria mais um diamante na sua respeitável trajetória política se agisse proativamente, deixasse o dito pelo não dito e não insistisse mais nesta idéia de emplacar a mulher como prefeita de Teresina. Pelo menos evitaria as comparações pouco abonadoras com oligarcas juramentados e outros exemplares de pedigree inferior. A legislação pode não vedar, ainda. Mas, por outro lado, não fica bem para quem iniciou a vida política bradando contra as pestilentas oligarquias deste Estado. O que o senador defende, poder não ser ilegal, mas também não é uma prática republicana por excelência.
fonte:acesse24horas.com