domingo, fevereiro 23, 2014

O maior Corso do Mundo é ‘a política do pão e circo’

A Teresina em que as paradas de ônibus são ao relento [ao sol, chuva e calorzão de 40 graus], que tem seus dois rios Parnaíba e Poti assassinados aos poucos, com o poder público jogando dejetos em suas águas, que não consegue implantar projetos sociais nos bairros para conter a onda de crimes que toma conta da cidade, enfim, que vive mergulhada ao caos, devido a falta de recursos para investimentos, é a mesma capital que gasta dinheiro público em festa carnavalesca para atrair multidões à folia momesca e mostrar que ‘o povo que vive aqui é mesmo feliz’, realizando o maior ‘Corso do Mundo’.
Pelas imagens mostradas pela mídia, devidamente paga pelos cofres públicos [nosso dinheiro, que deveria ser gasto com projetos e obras prioritárias], acredita-se mesmo que todos os problemas de educação, de moradia, de saúde, de emprego e renda, de mobilidade, tenham sido superados.
Quando digo que Teresina vive o caos, alguém pode pensar que é um exagero, mas basta observar que com qualquer chuva a zona leste vira um verdadeiro ‘inferno’. E tudo por falta de dinheiro para construir uma galeria. E não é só a zona leste que vira um mar de lama; de norte a sul, de leste a oeste da cidade, a situação é similar.
Quer mais? Faça um passeio pelo Centro [não vamos longe não] e constata-se dezenas de pessoas, seres humanos, vivendo jogados nas sarjetas, como ratos, pedindo um pedaço de pão para poder matar a fome. Cadê a dignidade que o poder público oferece a essa gente sem oportunidade?
Quer saber mais? De norte a sul de Teresina, em qualquer vila, encontram-se famílias vivendo no mais completo abandono. Abandono que vai da falta de saneamento [nem mesmo rede de esgoto tem] até a falta de alimentação decente. Passando pela falta de oportunidade de trabalho, de boa formação, de educação, de moradia decente. São pessoas que dormem nas filas da saúde pública para conseguir marcar uma consulta, cujo atendimento médico acontece, em média, três meses depois.
Se formos citar aqui todos os casos de falta de investimentos para que o teresinense tenha uma vida mais digna, o espaço do AI5 seria pequeno. E aqui vou me conter para não citar o exemplo do trânsito, que por falta de investimento chegou ao extremo, da situação dos espaços de ocupação de jovens nos bairros [as quadras todas caindo aos pedaços], da falta de iluminação pública [uma aliada da bandidagem], das famílias que vivem presas dentro de casa, tudo em decorrência da falta de investimento nas famílias, que acabam vendo seus filhos sendo empurrados para o mundo do crime.
Contudo, o poder público sempre encontra uma forma de enganar, de agradar, de mentir, de criar ilusões. Parte da mídia, a que recebe dinheiro público, se encarrega de mostrar uma bela festa, o Corso, maior do mundo, que, na palavra deles, ‘é um orgulho para Teresina’.
Para mim, seria motivo de orgulho, se Teresina primeiro resolvesse os seus problemas prioritários.
O povão vai ao Corso na carência de lazer [já que nos bairros, sequer as quadras de esportes existem]; carência de oportunidade; para esquecer a falta de emprego; esquecer as mazelas que a gestão pública joga em seu colo.
É fácil atrair quem vive na mais completa carência, quem vive no abandono.
É a velha máxima, que ainda é uma realidade em Teresina e no Piauí: ‘a política do pão e circo’.

www.portalai5.com