Governador inaugura sistema de esgotamento sanitário em Parnaíba (Foto:Wilton Lopes)
Por ter sido Parnaíba a primeira vila (Vila de São João da Parnaíba) a aderir à causa da Independência, a cidade é, desde os governos de Alberto Silva, local de comemorações que estimulam o sentimento nativista, a autoestima da população, embora ainda faltem provocações maiores à reflexão sobre a realidade e o futuro do Estado. As cerimônias promovidas em Parnaíba nestas datas perdem-se no ufanismo governista, no afã de promover ações de governo, deixando de lado discussões realistas, como a aceitação de que o Piauí ainda é um dos Estados mais pobres do país.
O momento, embora propício para analisar o Piauí a partir do seu posicionamento no cenário nacional (lanterna em quase tudo), serve mesmo é para comparativos entre períodos curtos de crescimento, com comparações politiqueiras sobre o desempenho do governo atual em relação ao imediatamente anterior. Esta miopia, interessante ao governante de plantão, é uma trave na visão do povo que deixa de refletir sobre o lugar que o Estado ocupa e que poderia estar ocupando nos cenários da macroeconomia e do desenvolvimento social no país, pelo menos. Deixamos de ter uma visão sistêmica e conjuntural para olharmos apenas para o próprio umbigo e nos descuidamos das informações necessárias para avaliar a competência dos nossos governantes.
O Dia do Piauí, bem que poderia ser momento de análise fria e desapaixonada a respeito do nosso Estado, em vez de ser ocasião esperada apenas para a prática do marketing de governo na sua versão mais oportunista, descambando para o marketing pessoal ou eleitoral, com aspectos de proselitismo puro.
Amanhã, dia 20, não terá sobrado quase nada de reflexão sobre nossa realidade e futuro. Apenas o questionável oba-oba de que o atual governo é o melhor de todos que passaram por debaixo deste céu.
F. Carvalho, editor do www.a24horas.com