Porém, durante vista da missão da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) ao Piauí semana passada (dias 24 e 25), o número de cargos comissionados chamou a atenção dos técnicos. Eles fizeram a seguinte pergunta ao secretário de Administração, Paulo Ivan: ‘Por que só na Assembleia Legislativa do Piauí tem mais de três mil cargos comissionados, se esse é o número que o governo do Estado possui em toda a sua administração pública espalhada em todos os municípios piauienses?’.
Coube a Paulo Ivan o constrangimento de tentar explicar, sem sucesso. O máximo que o secretário conseguiu dizer é que os deputados aprovaram e o governador Wilson Martins sancionou, recentemente, a criação de 2.355 novos cargos comissionados no Legislativo piauiense, através da Lei nº 6.178. Tudo de acordo como os ‘interesses’ dos deputados estaduais e da mesa diretora. A criação dos novos cargos está sendo questionada pelo Ministério Público, através de uma Ação Civil Pública na Justiça.
A informação é de um membro da equipe econômica do governo, que participou da reunião e que seu nome precisa ser mantido em sigilo.
O ‘exagero’ no número de indicações políticas
vai chegar na mesa do Ministro da Fazenda, Guido Mantega. A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) avalia a aplicação do Programa de Ajuste Fiscal (PAF) durante o exercício 2011 e discute as perspectivas para o próximo triênio (2012-2014). O controle dos gastos públicos é uma das metas a serem seguidas pelo Palácio de Karnak.SAÍDAS PARA A CRISE FINANCEIRA
Nos últimos dias, o pagamento da dívida do Estado com a União foi um dos motivos alegados para não conceder o reajuste solicitado pelos professores da rede estadual de ensino. Sobre a provável redução do número de cargos comissionados, o secretário de Fazenda, Silvano Alencar, disse que ‘isso não resolveria o problema’.
Deputado diz que é preciso controle em novas despesas
‘É pensamento comum entre todos os parlamentares que é necessária a revisão dos índices de correção das dívidas e a necessidade do Congresso controlar a criação de novas despesas dos estados. Portanto, é urgente a proposição de alternativas que viabilizem o pagamento da dívida dos entes federados, como por exemplo, a mudança do indexador e a redução dos juros cobrados’, explica Luciano Nunes.
Aquiles Nairó/180Graus.