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| Imagem: Internet |
por Jailton Alves
Na minha adolescência, o que se via nos meios de comunicação eram as propagandas das indústrias de cigarros, incentivando a juventude a consumir o seu produto. Elas contratavam agências para produzir os comerciais que seriam veiculados na televisão, nos rádios e jornais, exaltando o hábito de fumar e ligando esta prática aos esportes de aventura, fazendo com que o jovem unisse o cigarro “ao sucesso”!!!
Como sabemos, o meio de comunicação é uma das fontes mais eficazes de levar um produto à mente e aos olhos dos seus consumidores, elevando assim o consumo e, consequentemente, os lucros das empresas.
No Brasil, atualmente, estão existindo algumas campanhas de aspectos positivos no que se diz respeito ao combate do hábito de fumar. Foram criadas leis que impediram principalmente a veiculação nos meios de comunicação dos comerciais da indústria do tabaco. Associado a isto, a exposição do sofrimento de pacientes causado pelo fumo, nos próprios maços de cigarros, está contribuindo assim para diminuir o interesse dos brasileiros.
Hoje eu posso dizer: quem quiser parar de fumar é só ter fé em Deus, acreditar e pensar na própria saúde para tentar deixar o hábito.
Eu era fumante há muito tempo e já estava sentindo o efeito maléfico do cigarro em minha vida, mas mesmo assim eu continuava fumando.
Sempre gostei de praticar esportes, coisa que não combina com cigarro, e quando eu estava jogando futebol, sentia que as pernas conseguiam acompanhar a carga física que o futebol exigia, mas o que mais me incomodava era que a minha respiração não acompanhava o ritmo das minhas investidas em direção à bola.
No momento da prática esportiva, eu tinha a sensação de que os meus pulmões iriam explodir. Na verdade, este era apenas um dos sintomas que eu já estava sentindo devido ao consumo de mais de um maço de cigarros por dia. Além disso, juntava-se a este sintoma, uma extrema sensação de falta de ar, seguindo-se de uma tosse constante com secreções, a falta de apetite, magreza, ansiedade, etc. Imaginem o que estava acontecendo com um jovem de 1,80m e que pesava somente 64 quilos. Com certeza, estava doente! Hoje, estou com 82 quilos e me sinto muito bem em todos os aspectos.
Mas eu já tinha a consciência dos problemas que o consumo do cigarro poderia causar na minha vida e nas das pessoas que conviviam comigo. E foi esta consciência que me fez parar de fumar. Livre do hábito há mais de 18 anos, eu posso dizer que eu estou vivendo com mais qualidade e presenteando a minha família com um ambiente saudável e puro.
Tudo aconteceu quando eu convidei alguns parentes meus para almoçar na minha casa. Eu já estava casado e minha esposa estava no sétimo mês de gravidez do nosso primeiro filho. Esta situação foi o ponto crucial para que eu pudesse tomar esta difícil decisão, mas que mudaria as nossas vidas para sempre.
Antes do almoço, neste fim de semana, claro que estava rolando uma cerveja. E, como todo fumante sabe, não existe nada mais prazeroso do que uma cerveja ou um café, seguido de algumas baforadas em um cigarro.
Mas, como já disse anteriormente, eu já tinha a consciência dos malefícios que o cigarro poderia causar e foi neste momento que eu notei que entre todos os que estavam ali presentes, eu era o único que fumava. E ao observar a minha esposa grávida e eu já querendo largar o vício, mesmo sem nunca ter falado a ninguém desta minha intenção, pensei: eu não quero pegar no meu filho com as minhas mãos “cheirando” a cigarro.
Outras reflexões vieram a minha mente. Nós gastamos muito dinheiro com higiene pessoal, através da compra de creme dental, sabonetes, perfumes, desodorantes, shampoos, hidratantes, etc. Por isso, depois de usar todos esses produtos, o cidadão acende um cigarro e coloca tudo a perder, porque o cigarro fica impregnado nas mãos, na boca, no cabelo, nas roupas, na sua casa e em todo ambiente onde esteja alguém fumando. Então, além de fazer mal a saúde, é irracional!
Depois que os convidados foram embora, o cigarro tinha acabado e neste momento eu decidi parar de fumar. Passaram-se três dias para que eu anunciasse a minha esposa que eu estava sem fumar durante este período. Aí, veio a pergunta: Você vai parar? Eu vou tentar, foi a resposta. Foi também neste momento que, contrariando todas as teorias, não abandonei os hábitos de tomar café e cerveja e de conviver em ambientes com amigos que ainda fumavam.
Não posso dizer que foi fácil. A luta contra o vício continuava até quando eu estava dormindo. Nos meus sonhos, eu me via fumando e isto me angustiava e só passava quando eu me acordava. Era a abstinência. A falta da nicotina no meu organismo me levava a ter pesadelos.
Agora, livre do vício, consigo compreender a força que uma pessoa necessita para deixar de fumar e ter a sua saúde de volta. Hoje, sou muito mais feliz e sempre lembro o dia 8 de maio de 1993, o dia em que a minha vida recomeçou. Quase dois meses depois, eu pude segurar o meu filho no colo sem está “cheirando” a cigarro.
fonte:terra da liberdade
