segunda-feira, março 12, 2012

Delegado demitido alega até agressão em serviço e promete recorrer


O delegado José Wellington Rodrigues da Silva vai recorrer da decisão do Governo do Estado, que o demitiu do cargo no último 28 de fevereiro. Então titular da delegacia de São João do Piauí, ele foi acusado de não apresentar resultados em seu trabalho, deixando de conduzir inquéritos e atender o Ministério Público com presteza. Denunciado, ele se defende alegando falta de estrutura a ponto de ter de redigir boletins de ocorrência e dirigir viatura policial. Cita ainda um episódio de 2010, no qual acabou agredido ao prender uma mulher acusada de bater no marido.

Fotos enviadas pelo delegado da agressão sofrida em serviço

José Wellington Rodrigues reclama de falta de estrutura para concluir inquéritos em São João do Piauí.

José Wellington reclama de problemas de estrutura para ter instaurado 157 inquéritos e concluído apenas 9 em 2011. Segundo sua defesa, além de falta de estrutura os auxiliares são insuficientes e ineficientes. Situação que, na sua alegação, não é diferente de distritos policiais de Teresina, que também estariam acumulando inquéritos.

"E nem por isso nenhum delegado da capital foi demitido. E olhe que a estrutura que possuem na capital é muito além do absurdo que existe nas cidades interior, onde os delegados são obrigados a fazerem de tudo, porque não possuem sequer um policial ou escrivão que saiba usar computador", disse em emails enviados para a imprensa.

O processo administrativo data de 2010. Na defesa, o delegado alegou que "se existem atrasos no andamento de procedimentos policiais, tal fato ocorre face as condições extremamente desumanas de serviço a que está exposto o servidor, que, não obstante, tem tentado sanar a situação com um esforço sobre-humano, abdicando até mesmo de sua família, realizando jornadas de trabalho de até 14 horas, sem respeito a folgas semanais ou feriados".

O delegado afirmou não saber por qual razão a corregedoria da Polícia Civil e o governador Wilson Martins, que assinou sua demissão, não aceitaram seus argumentos de defesa. "Porém, o Poder Judiciário irá analisar profundamente o que, de fato, aconteceu", relatou.


Fábio Lima
fabiolima@cidadeverde.com